Especial sobre Linux, parte 2
Escrito por Carlos E. Morimoto

Instalando sem traumas

Uma característica interessante do Linux é a possibilidade de instala-lo junto com qualquer outro sistema operacional. isto significa que você pode manter o Windows 95/98 ou Windows 2000 instalado na máquina, em dual boot com o Linux.
O único problema é o espaço. Provavelmente o seu HD estará particionado em uma única partição. Existem duas saídas, você pode usar um programa como o Partition Magic (www.powerquest.com.br) para diminuir o tamanho da partição atual, deixando espaço para criar uma nova partição para o Linux, ou então fazer um backup dos seus dados e reparticionar o disco rígido. Vai do que você acha mais prático. Para mais detalhes sobre particionamento do disco rígido, leia nosso Tutorial
No CD do Linux você também encontrará um utilitário chamado FI`PS.EXE no diretório "Dosutils". Ele também serve para reparticionar o disco rígido sem perder dados, mas não é tão fácil de usar quanto o Partition Magic. Tente seguir com atenção as instruções do programa pra não fazer nenhuma besteira com seus dados.
Lembra-se do Linux da Corel que eu comentei na dica de ontem? Ele traz uma funcionalidade adicional, pois permite ser instalado na partição do Windows 98. Isso é bem prático, pois lhe poupa de reparticionar o disco. Para isso basta escolher "Install in Dos/Windows Partition" durante a instalação do programa.
Se você estiver instalando o Linux da Conectiva, ou outra distribuição, o procedimento é o seguinte. Depois de ter reparticionado o disco rígido, deixando espaço para a partição do Linux, coloque o CD do Linux na bandeja e acesse (pelo DOS) o diretório DOSUTILS do CD. Ainda no prompt do DOS digite o comando "RAWRITE". O programa perguntará "Enter disk image source file name", digite "D:\imagens\boot.img", presumindo que D: seja a letra do seu CD-ROM. Se você estiver instalando um Linux em Inglês o diretório será "images" e não "imagens"
Pronto, você fez um disco de boot do Linux. Basta agora dar boot por este disquete, com o CD na bandeja para começar a Instalação. No caso do Linux da Conectiva a instalação é bem simples, qualquer dúvida basta consultar o manual.

Aqui vão algumas dicas:
Quando for perguntado qual utilitário você deseja usar para reparticionar o disco, escolha o Disk Druid, ele é bem fácil de usar. Crie uma partição "Linux Native" onde será instalado o Linux (recomendo reservar pelo menos 600 MB) e outra partição "Linux Swap" menor. Como você deve ter percebido, no Linux você pode criar uma partição separada para a memória virtual. Eu recomendo uma partição Linux Swap de 128 MB caso você tenha 64 MB de memória ou menos, ou uma de 64 MB caso você tenha 128 B de memória ou mais. Quanto o programa lhe perguntar sobre o "ponto de montagem", responda "/".
Quando for perguntado em que porta está o mouse, responda ttyS0 ou ttyS1, que correspondem respectivamente a COM1 e COM2
Para deixar o Windows e Linux em dual boot, você deve instalar primeiro o Windows e em seguida o Linux. Durante a instalação do Linux será instalado o Lilo que é o gerenciador de Boot do Linux. Quando perguntado, responda que deseja instalar o Lilo na trilha MBR do HD. Em seguida ele mostrará uma tabela com as partições de disco pelas quais o micro poderá ser inicializado. Na lista aparecerão a partição do Linux e a partição do Windows. Selecione a partição Windows e nas propriedades digite um apelido para ela, "Win98" por exemplo, qualquer coisa que você ache fácil de digitar.
Você acabou de configurar o Lilo para deixar o Windows e Linux em Dual Boot. Logo que ligar o micro aparecerá uma mensagem "Lilo Boot:". Para inicializar o Windows digite o apelido que deu "Win98" por exemplo, e tecle enter. Se quiser entrar no Linux simplesmente tecle enter sem digitar nada.
Voltando à instalação do Linux, no finalzinho ele lhe pedirá para informar uma senha de superusuário. O Linux é um sistema multiusuário, e o superusuário ou ROOT (no caso você) é o único que tem permissão para fazer o que quiser na máquina.
Terminada a instalação, o sistema pedirá um login. Digite "Root" e informe a senha. Como disse, o Root é quem tem permissão para fazer o que quiser no sistema, inclusive besteira. Por isso, uma recomendação geral é que depois de configurar tudo que quiser, você crie uma conta de usuário e passe a se logar por ela. Logando-se como um usuário comum você não poderá fazer nenhuma besteira no sistema, mesmo que quiser. Naturalmente você pode continuar se logando como Root se quiser, afinal o micro é seu.
Depois de terminada a instalação você deve estar ansioso para entender como o Linux funciona. A primeira coisa a entender é que no Linux você pode usar o sistema tanto em modo texto, num prompt de comando a lá DOS ou no modo gráfico. Por defaut o Linux iniciará em modo texto, para entrar no modo gráfico basta dar o comando "startx". Para mudar a interface gráfica clique com o botão direito sobre uma área vazia, escolha "Quit" e em seguida "switch to". Agora é so escolher uma das outras que estarão listadas. Ao digitar startx de novo, o Linux abrirá a ultima interface que escolheu.
Se você optou pela instalação completa, foram instaladas várias interfaces gráficas, você pode escolher qual gosta mais. A que eu gosto mais é o KDE, que você acessa digitando "KDE" do prompt de comando. A interface do KDE é bem parecida com a do Windows 98, por isso você não terá maiores dificuldades em lidar com ele.
Não existem grandes diferenças de funcionalidade entre as interfaces gráficas, pois os programas rodam em todas, o que muda é mais o visual mesmo. Se você está se perguntando como pode ser possível a existência de tantas interfaces compatíveis entre sí, aqui vai uma explicação um pouco mais técnica:
O sistema operacional Linux em sí é composto pelo Kernel. O Kernel do Linux inclui todas as funções básicas do sistema. Todos os demais aplicativos rodam sobre o Kernel. Primeiro temos um bash, que nada mais é do que a interface de comando, em modo texto. O bash tem como função traduzir os comandos para as instruções entendidas pelo Kernel. A interface gráfica do Linux é controlada por um outro aplicativo, chamado Xserver. O Xserver é quem controla o funcionamento de todos os programas que rodam em modo gráfico, cria as janelas, etc. A interface gráfica simplesmente traduz os comandos do Xserver na forma de janelas, menus etc. Todas as Interfaces gráficas, seja o KDE, After Step, Window Maker, etc. rodam sobre o mesmo Xserver e por isso tem recursos parecidos, apesar do visual ser totalmente diferente.

Leia a Terceira Parte.


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